
Havia mais de 3 semanas que eles haviam se reencontrado, depois de 8 meses longe um do outro, mas quando estavam juntos nenhum dos dois tivera a coragem de lembrar dos acontecimentos passados.
Era meio dia. Mas estava frio. Vontade de ir embora. Relutavam, por saber que poderia ser a última vez.
— Vamos Carol?
— Já? Ainda não estou com fome. Vamos ficar mais? Eu tenho uma coisa a te dizer, Léo.
— Que coisa? Estamos aqui há mais de uma hora e você não disse "quase" nada. Mas pode falar, o que é?
Ela olha para o lado, e ele sente uma palpitação mais forte. Poderia ser a última chance nesse começo de inverno.
— Vamos, diga Carol. O que é?
— Ah, calma Léo. Eu fico sem graça! Quer saber, vamos embora! Perdi a vontade de dizer!
Carol pega as coisas e começa a andar em direção à rua, pouco movimentada nos fins de semana. Num rompante de medo e coragem, Léo se aproxima por trás de Carol e lhe tapa os olhos. Ela se assusta, mas aceita ouvir o que ele tem a dizer.
— Não sei se é a mesma coisa que você iria me dizer, mas eu não sei mais como segurar. Eu te amo Carol e esse tempo todo longe de você serviu para que eu percebesse isso.
Ainda com os olhos tapados, ele a carrega para uma pequena grade, e pede para que ela mesma retire as mãos dos olhos.
Quando percebe, Carol apenas vê os olhos de Léo pertos dos seus, quase se tocando, e aí percebe que nada naquele momento (e dali em diante) valeria mais a pena que viver o que realmente seria importante.
— Eu também te amo. Diz ela.

Um comentário:
A saudade e o amor andam de mãos dadas... já dizia Rubem Alves.
Belo diálogo!
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