Sobre o assunto, estou lendo o livro "Eu sou o Mensageiro", de Markus Zusak, autor de A Menina que Roubava Livros. Os dois livros têm me ensinado que fazer a diferença nem sempre significa ser diferente e que eu posso tornar algumas coisas melhores para os outros. E isso acontece com gestos muitas vezes imperceptíveis. O simples gesto de olhar para um amigo e vê-lo como igual a mim faz dessa pessoa realmente igual. O gesto de ouvir alguém que precisa conversar diz à essa pessoa que eu estou disposto a ajudá-la, inclusive além das minhas possibilidades. Enfim, hoje vejo um pouco mais claramente que, na verdade, olhar para si e ver o mundo somente a partir de experiências individuais impede que sejamos humanos (no sentindo total da expressão: perfeito, completo, apto a crescer). E pior do que isso: muitas vezes, com nossas ações e omissões impedimos que os outros cresçam em si e para os outros. Resumidamente: fechar a si mesmo e impedir que o mundo nos veja traz para nós prejuízos imensuráveis: não nos conhecemos a partir dos outros e não nos deixamos conhecer!
Isto tudo aqui escrito se deve ao fato de que, sinceramente, eu queria que as amizades fossem sinceras! Tal paradoxo!! Na verdade, não deveriam (ou pelo menos não deveriam existir) amizades "meio-verdadeiras". Até porque o conceito de amizade está totalmente ligado à verdade, transparência, singeleza e não ao convencionalismo oportuno que existe hoje!
Enfim, apesar de incompleto e imperfeito, vejo-me como uma espécie de mensageiro. Não apenas de coisas visíveis e fáceis de se compreender. Mas mensageiro de algo tão importante e relegado como a amizade e a sinceridade.
Um pouco mais além da amizade, está o amor. Entenda-o como quiser. Mas esse sentimento-prática é assunto pra outra hora. Fica aqui, apenas uma prévia do que pode vir por aí: "Ela quer me amar, mas não quer me perder. - Ed Kennedy, sobre Audrey O'Neill".
